sábado, 10 de outubro de 2009

Novo Blog!

Por Maurício Marttins

Para aqueles que já me conhecem e visitam o blog, ou para aqueles que caíram aqui por acaso fica o convite para aparecer lá no Ácido Literário, no Wordpress. Clique aqui para ser direcionado.

Eu tenho blogs há muito tempo, e sempre usei o Blogger. Perdi as contas de quantos blogs criei e depois deletei, de quantas ideias se perderam por conta disso sem lembrar que tinha esquecido de fazer backup de certas coisas antes. Enfim...

Quando criei o blog Ácido Literário, jurei pra mim que nunca ia me desfazer dele, não só pelo nome que considero bom, mas por ser muito ruim ficar se desfazendo e montando um blog novo depois.

Mas, nesse caso, não estou me desfazendo. Estou apenas mudando o endereço do blog. Agora vou começar a usar o Wordpress.

O motivo dessa mudança é simples, como já tenho um blog lá, o Feijoada Nacional (que é uma ideia completamente difente do Ácido Literário), acabo por me adaptar a algumas ferramentas e funções (além de outras coisas). Além do mais, esse aqui não será deletado (pelos menos por um tempo), vou deixa-lo assim, com as postagens, links, twitter (que continua o mesmo) e etc.

Alguns dos textos que postei aqui, talvez poste no novo blog. Outros vão ficar somente aqui. Espero que você possa conhece-los.

Forte abraço!

Carpe Diem

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Halls vermelho

Por Maurício Marttins

Ela me olha e não diz absolutamente nada. Parece imaginar o que estou pensando. Não sei muita coisa sobre ela e muito menos sei o que ela pensa sobre mim. Fico no meu canto esperando ela dizer alguma coisa, quando sei que sou eu quem deveria dizer algo. Fazer o quê? Certas coisas não mudam e eu demoro muito para aprender.

Ela tira um Halls vermelho do bolso da frente da calça. Abre devagar, pega uma das balas e depois coloca o Halls na minha mão sem perguntar se eu quero. Devolvo o Halls após pegar também uma das balas. Estamos ainda em silêncio, de frente um para o outro, sentados num banco de praça, de frente para um jardim. Plantas que não sei o nome parecem observar a solidão contida naquele instante.

Ela mexe em seu cabelo e o joga para trás. Seus olhos se iluminam no contato visual com o céu azul. Olhos negros, intensos e que disfarçam muito bem o ligeiro constrangimento daquela situação. Estamos há quase dois minutos assim, contar o tempo numa hora dessas parece ser uma contradição, pois todos os segundos se foram e meu relógio é só um enfeite barato no meu punho esquerdo. Um sorriso e num gesto rápido pega na minha mão e a repousa sobre a sua, me pergunta o que estou pensando e faz com que eu me aproxime um pouco mais. Sei o que devo fazer, mas ainda penso um pouco. É como se quisesse aproveitar o máximo daquele momento e pinta-lo depois em minhas lembranças. São segundos de vida, não posso desperdiça-los.

Enxergo seus lábios, e me aproximo o mais devagar que posso. Ela me espera e também me olha. Sua respiração está cada vez mais próxima e posso sentir o cheiro da sua pele antes de toca-la com a minha. As bocas procuram abrigo, sentem o gosto doce do Halls, olhos fechados e mãos ainda unidas. Não penso em mais nada e muito menos consigo ouvir alguma coisa.

Ela está em meus braços, mas sou eu quem repousa no seus.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pra Ti, Por Ti, Em Ti

Por Maurício Marttins

Nem sempre, eu sei, fui sincero
Usei mil disfarces na tua frente
Te peço para ficar neste instante
Pra ti agora quero ser honesto

Dentro de mim guardo um sentimento
Ele cresce, queima e me domina
Sou um tolo, eu sei, neste momento
Mas por ti me desejo um todo dia

E nos gestos secretos de tuas mãos
Quero me entregar por inteiro e paixão,
Decifrar aos poucos o que sinto

E no beijo doce em teu rosto
Te entregar minha alma e meu corpo
Em ti, meu amor, o meu destino

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Soneto

Por Maurício Marttins

Quando quiser me seguir pelas ruas,
Apenas guie-se pelo rastro dos meus sentimentos
Encontrarás-me distante de quase tudo
Mas tão perto de você em pensamentos

Sem perceber, entrarás dentro do meu mundo
Serei pra ti somente um anfitrião.
Mostrando o que em mim existe de mais profundo
Abrindo pra você meu coração!

Verás do que realmente sou feito,
O tão frágil às vezes que eu me sinto
Distante minha alma está de um Céu!

Serei a angústia dentro do seu peito,
De minha loucura todos vão estar rindo,
Enquanto, eu, vou derramando, o meu sangue no papel!

São Paulo, 24 de novembro de 2003.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Receita Minuto

Por Maurício Marttins

Junte todos os seu problemas e misture com pequenas doses de licor de medo. Acrescente agora as pequenas frustrações, batendo tudo sempre com as suas próprias mãos.

Leve seu ódio ao fogo, deixe a massa descansando. Coloque sal a gosto e se esqueça das palavras de conforto.

E depois de quase tudo estando pronto, misture a depressão com toda a massa fria. Jogue por cima todo o ódio ainda quente. Sirva sozinho no seu quarto pela tarde.

domingo, 2 de agosto de 2009

Minta pra mim

Por Maurício Marttins

Você já teve a impressão que você anda, anda, anda... Mas continua no mesmo lugar? Vivendo as mesmas situações, tendo os mesmos anseios que tinha quando era adolescente, se perguntando às vezes como talvez fosse bom largar tudo e todos e se mandar para bem longe? Do quanto sente que está perdendo tempo, que está em queda livre no vazio. Que seus sonhos eram apenas bobagens de criança e que todas as suas expectativas para o futuro não passaram de ilusões? Será que você já sentiu uma dor tão forte dentro do seu peito e teve vontade de gritar tão alto, mas aquilo que antes era coragem acabou se transformando em lágrimas capazes de sufocar até a sua voz? Me diga se você já teve vontade de pular de uma altura capaz de te matar somente para se sentir um pouco vivo? Me diga, me diga que você não sente a solidão cortar a sua alma e que seu espelho ainda consegue refletir algum tipo de verdade em seu rosto. Por favor, minta. Minta pra mim e me diga que tudo isso é passageiro, que logo o sol chegará iluminando mais um dia. Que tudo não passou de tempestade, que a névoa cinza logo passa e que não estou tão sozinho. Diga que há belezas nessa vida, diga que ainda posso ser feliz, diga que estarei melhor pela manhã. Cubra com algumas palavras de carinho o meu corpo tão cansado, me deseje boa noite ao apagar a luz. Me diga para sonhar com anjos que eu sonharei... Minta pra mim, por favor, minta! Minta pra mim e eu acreditarei.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome: auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que isso se chama amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é simplicidade.

Quando me amei de verdade desisti de querer sempre ter razão e, com isso, deixei de errar muitas vezes.
Hoje descobri a humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é saber viver!

Esse texto é atribuído a vários autores, inclusive a Charles Chaplin, no entanto, sendo a mais provável Kim McMillen.