O dia acabou e você deita seu corpo no colchão
Tenta fechar os olhos e não pensar em nada, em ninguém
Resquícios do dia em sua memória, lembranças fugazes
Qualquer sentimento nesse instante se torna ilusão
O peso do dia em sua consciência
Histórias, contratos, papéis e conversas
Mulheres e homens, crianças pequenas
Na hora do almoço pouca fritura, nenhum sal
Uma pausa descanso, café sem açúcar
De pé para a porta, saída de emergência
Cigarros mal apagados, pessoas estúpidas
O caminho da volta é de passos lentos
Ar condicionado, relógio, impaciência
Vidas submersas na rotina,
Ancorado na obrigação, sentindo longe
Vive seus sonhos na contramão
Outro café, despedida amarga
Caminhos em busca, rumo incerto
Uma tarde em claro, desassossego
Não diz adeus, apenas sai
Bancas de jornais, carros, multidão
Sinais vermelhos, prédios e camelôs
Ônibus lotado, música, fones de ouvido
No sentido oposto o desalento e solidão
Ninguém lhe espera em sua pequena casa
Os móveis não perguntam sobre seu dia
Um banho quente, comida pronta
Um filtro de barro e garrafas vazias
A noite chega, o sono aperta
Prepara a cama de solteiro e tão fria
Escova os dentes, enxagua o tédio
Sorri e se esquece pensando no amor
Hoje estrelas não brilham no céu
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