sábado, 17 de dezembro de 2011

Mayara

- Você definitivamente não aprende, não é?
- Não, acho que não. Mas o que posso fazer? Eu sei exatamente como agir, chega na hora, quando percebo, já foi...
- E agora, seu manezão, o que pretende fazer?
- Tudo o que me resta fazer. Vou pedir as contas no início dessa semana. Não me sinto no clima para continuar trabalhando naquele lugar. Logo começo a trabalhar com o que gosto de verdade, então porque continuar num lugar do qual não precisa mais de mim?
- Você poderia reverter a situação, tentar reconquistá-la. Sei lá... Parar de se lamentar seria um bom começo, você não acha?
- Sabe, eu não me lamento. Demorei a encontrar alguém que pudesse gostar de verdade. No fim, antes que algo realmente forte pudesse acontecer, fui chutado exatamente por esse motivo.
- Como assim? Vai me dizer que ela veio com aquele papo de que você é alguém especial demais, que ela prefere ter você apenas como amigo?
- Isso, isso mesmo... Mas teve algo mais.
- O que?
- Nós ficamos e em minha opinião foi ótimo. Mas ela ficou estranha comigo depois. Não sei ao certo. Ela, na última conversa que tivemos, pouco antes da gente discutir, disse que gostou de ficar comigo e que por isso mesmo não queria mais...
 - O quê? Não acredito nisso! Sério?
- Sério. Disse que já tinha sido enganada e feita de boba algumas vezes. Disse que queria terminar antes que pudesse se apaixonar por mim. Tinha medo de quebrar a cara novamente.
- Você acreditou nisso?
- Sei lá... Eu esperava ouvir que ela não sentia nada por mim, que não combinamos ou que eu era feio demais, chato demais. Tudo, menos isso. Fiquei revoltado e acabei dizendo coisas só para magoá-la. Enfim, não consegui disfarçar minha frustração.
- Você tem um gênio muito difícil às vezes, e agora?
- Ela me excluiu do Facebook...
- Putz... Vai ver ela só fez isso para não ser excluída antes por você.
- Mas eu não iria excluí-la.
- Ela não tinha como saber, não é?
- Bom, vai ver ela nunca mais quer me ver mesmo. Compreensível, não é?
- Você é um idiota.
- Obrigado pela ajuda, estou me sentindo muito melhor agora com suas palavras.
- É para isso que você está inventando essa conversa, não é mesmo? Para se sentir menos idiota. Acho difícil, mas não custa nada tentar. Mas e aí, já resolveu se vai pedir desculpas ou se vai deixar esse assunto quieto?
- O que você aconselha grande amigo imaginário?
- Depende, o bar ainda está aberto? Que tal um pouco de vinho e uma ressaca moral no dia seguinte?
- Não acho que beber agora seria de grande ajuda. Melhor escrever algo pra ela, para que ela saiba que lamento e que gostaria de ter agido diferente.
- Puta que o pariu, hein?! Agora vai se humilhar? Já foi, diga foda-se e siga em frente. Você não é homem não? Vamos encher a cara!!
- Vamos? Você quer dizer eu, pois você sequer existe, não é?
- Tanto faz. Como sou parte da sua imaginação é meu dever orientá-lo a fazer coisas mais agradáveis do que ficar aqui, neste quarto abafado, escrevendo este texto que ninguém vai ler apenas para aliviar seu sentimento de decepção. Ela não vai te ligar, te responder e muito menos vocês vão voltar a ficar juntos. Esqueça! Não é a primeira e muito menos será a última a te dar o fora.
- Porra, você é um amigão mesmo, hein?
- Desculpe, mas você sabe que é verdade. Não adianta se lamentar. Já foi. Se ela está com medo de se apaixonar por você, o problema é dela, não seu. Você fez a sua parte. Além do mais, se ela quisesse ficar com você de verdade ela ficaria. Não colocaria empecilhos para isso. Meu caro, ela também pode ter dito isso só para ser legal, mas na verdade ter vontade de ficar longe de você.
- Você acha que eu não pensei nisso? Vai ver eu estava tão sozinho que a primeira oportunidade de namorar alguém legal me deixou totalmente eufórico. Sou um idiota mesmo...
- Concordo, e aí? Vamos beber?
- Ok. Preciso antes ver quanto tenho na carteira.
- Certo, mas vou logo avisando que estou sem dinheiro.
- Vinho ou cerveja?
- Que tal os dois?
- Vinho, pode ser?
- Ótimo. Ei! Vai postar esse texto?
- Não sei, talvez. O que acha?
- Acho que você é maluco.
- Na próxima vez chamo alguém de verdade para beber comigo, tá bom?
- Brincadeira!! Vamos logo, faz tempo que não bebo vinho...

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